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  • Ibama e ODA avaliam satélite Alos

    5 de outubro de 2009 · Categoria: Notícias

    SAtélite AlosO uso de imagens do satélite japonês Alos tem ajudado o Brasil a monitorar o desmatamento da Amazônia, suprindo um dos principais desafios na detecção do dano à floresta: a cobertura de nuvens na região que, em geral, se prolonga por seis meses consecutivos, entre outubro e março. Essa avaliação foi apresentada por integrantes do Centro de Sensoriamento Remoto – CSR, da Diretoria de Proteção Ambiental e da Assessoria Internacional do Ibama, durante reunião esta semana com a missão japonesa da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA), ligada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.

    A missão esteve no Brasil investigando os resultados do acordo de cooperação entre o Ibama e a Jaxa, sigla da agência espacial japonesa, que permitiu o uso de imagens da Amazônia captadas pelo satélite Alos.

    A cobertura de nuvens não é obstáculo para o Alos, ao contrário dos atuais sistemas de detecção de desmatamento Prodes e Deter. Esses sistemas tradicionais provêem informações georreferenciadas de pronta aplicação na investigação de crimes ambientais, mas dependem das condições atmosféricas devido às características intrínsecas dos sistemas óticos de imageamento.

    “Desde seu lançamento, o Alos apresentou-se como uma opção ótima para o monitoramento da região amazônica”, informou o chefe do CSR, Humberto Navarro de Mesquita Junior, ressaltando também que essa tecnologia avançada é um fator de motivação para os servidores do Ibama envolvidos no projeto.

    O coordenador-geral de Zoneamento e Monitoramento Ambiental (Cgzam), do Ibama,  George Porto, endossou: “Pela primeira vez, temos a capacidade de detectar desmatamentos entre outubro e março, quando ficávamos às cegas devido as nuvens”.

    O diretor substituto de Proteção Ambiental, Bruno Barbosa, espera que um dia os resultados do monitoramento pelo Alos possam ser empregados no planejamento estratégico do combate ao desmatamento. Segundo ele, atualmente, a grande distribuição dos fiscais em campo é feita com base nos sistemas tradicionais Deter e Prodes, porém  o Alos tem sido útil no nível tático. Os indicativos de danos na floresta, apontados pelo satélite japonês, já foram comprovados durante sobrevôos com helicóptero.

    Após ouvir os técnicos brasileiros, o chefe da missão japonesa, Yoshizaku Imazato (ex-membro da redação do jornal Tokyo Shimbum e membro da rede de intelectuais para avaliação da ODA), comentou ser muito gratificante receber tantos elogios e a avaliação positiva sobre a cooperação que tem contribuído para a preservação da floresta amazônica. Observou que o trabalho fruto dessa parceria entre Brasil e Japão é importante para a Amazônia e para o mundo.

    Na avaliação dos técnicos do Ibama, uma contribuição adicional do projeto poderia ser o aproveitamento das metodologias desenvolvidas no monitoramento de regiões com florestas tropicais com alta pluviosidade,  em outras regiões que também apresentam problemas com a cobertura de nuvens, a exemplo da Floresta Atlântica.

    Para atingir os objetivos propostos, o presente projeto de cooperação técnica contempla as seguintes ações:
    - capacitação direcionada aos peritos criminais federais do Departamento de Polícia Federal (DPF) e aos analistas ambientais do Ibama para aplicação das imagens Alos no monitoramento da Região Amazônica e na comprovação de crimes ambientais;
    - desenvolvimento de metodologia para integração das imagens Alos nos atuais programas de monitoramento da Amazônia e sua possível aplicação em outras regiões com problemas similares, como o bioma Mata Atlântica;
    - fortalecimento da integração entre o Departamento da Polícia Federal e Ibama;
    - Fornecimento de imagens Alos durante o período de execução do projeto; adequação da infra-estrutura da Diretoria Técnico-Científica do DPF e do Ibama para o processamento e utilização das imagens, e para a disponibilização destas e demais dados geográficos internamente, especialmente para os Setores Técnico-científicos e para as Delegacias Especializadas no Combate e Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph) das Superintendências Regionais do Departamento de Polícia Federal e das superintendências estaduais, escritórios regionais e bases operativas do Ibama.

    Boa parte dessas ações já apresenta resultados, com destaque para o desenvolvimento de metodologia para integração das imagens Alos nos atuais programas de monitoramento da Amazônia, por meio do sistema Indicar (Indicador de desmatamento com imagens de Radar), desenvolvido pelo CSR/Ibama. Outro ponto importante é o treinamento de técnicos no Brasil e no Japão para a utilização das imagens Alos. Ainda este ano, em Brasília, haverá o curso para analistas ambientais dos escritórios do Ibama nas áreas mais críticas do desmatamento. Também foram convidadas representantes de instituições parceiras, como a Polícia Federal.

    O Ibama também pretende repassar a tecnologia desenvolvida no monitoramento de florestas tropicais para países que enfrentam problemas semelhantes como a Bolívia.

    Na reunião com a missão japonesa, o chefe do CSR solicitou mais apoio nas participações em fóruns internacionais, que tratam direta ou indiretamente da temática, para apresentação dos resultados, a exemplo de fóruns relativos a mudanças climáticas globais e conservação da biodiversidade.

    Histórico

    O acordo de cooperação técnica para recebimento de imagens do Alos foi firmado em agosto de 2007.  O monitoramento do desmatamento por imagem Alos iniciou-se logo com as primeiras imagens recebidas da Jaxa, já em 2007. Primeiramente, esse monitoramento restringiu-se à região crítica, posteriormente foi estendida a toda a Amazônia.  A região-alvo já vem recebendo informações sobre desmatamentos a partir de imagens Alos. Isso em conjunto com informações dos sistemas do Inpe, que utilizam imagens ópticas, vem orientando os trabalhos de fiscalização do Ibama.

    CSR/Ascom/Ibama

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