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  • Sputnik: meio século, e a revolução continua

    31 de outubro de 2007 · Categoria: Notícias

    O mundo inteiro, ianques incluídos, está neste mês celebrando o 50º aniversário do lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1. Aconteceu no dia 4 de outubro de 1957, e o mundo nunca mais foi o mesmo desde então. Mas nada do que americanos ou russos pensavam na época, ao ver aquela pequena bolinha cruzar os céus, aconteceu. Ainda bem. Para que se tenha uma idéia, o foguete que permitiu a façanha foi criado a partir do seguinte estudo, de 1950, encomendado pelo governo soviético: “Requerimentos de desenvolvimento para um foguete líquido com alcance de 5.000 a 10.000 km e uma ogiva de 1 a 10 toneladas”. Pois é, a idéia era construir um negócio que jogasse bomba na cabeça dos outros a meio mundo de distância.

    Era o tempo da Guerra Fria, e a então União Soviética precisava responder aos americanos, depois daquela demonstração brutal de força com a detonação das primeiras bombas atômicas sobre o Japão, em 1945. Quatro anos depois, os russos já tinham suas próprias armas nucleares, mas de que elas serviam (a qualquer dos lados) sem uma ferramenta para dispará-la efetivamente na direção de seu adversário?

    O lançamento do Sputnik foi a demonstração de que, a partir daquele momento, essa ferramenta passava a existir. O criador do satélite e de seu veículo lançador, o russo Sergei Pavlovich Korolev, virou herói nacional soviético (embora permanecesse anônimo até sua morte, em 1966) e os americanos entraram em parafuso.

    O pequeno satélite, com seus 84 quilos, operou por apenas 21 dias, mas tocou o terror nos Estados Unidos. Foi com o argumento de que os americanos estavam para trás, e em perigo, que John F. Kennedy se elegeu presidente. Antes disso, em resposta ao desafio soviético, o governo americano cria a Nasa – Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, agência destinada a vencer a recém-iniciada Corrida Espacial.

    O resto, como dizem, é história. Embora tenham quase chegado a um conflito armado nuclear em algumas ocasiões, Estados Unidos e União Soviética nunca foram às vias de fato. A disputa espacial que travaram foi, em geral, pacífica, e resultou numa série de avanços que melhoraram a qualidade de vida na Terra (basta lembrar no avanço das telecomunicações) e nos levaram a pensar que o planeta é um só.

    Há 50 anos, aprendemos a nos destruir. Dito de outra maneira, mais otimista, faz 50 anos hoje que optamos deliberadamente por não nos destruirmos. Claro que a manutenção dessa decisão precisa de um esforço diário. E ele continua sendo feito, lá em cima. Hoje, americanos e russos colaboram na construção da Estação Espacial Internacional. Amanhã, o que será? Não sabemos. Mas vamos descobrir. Que venham os próximos 50!

    Este texto está na edição de outubro da revista Galileu.

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